quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Qualidade de VHS...

Eram todos personagens muito amáveis, você poderia criar afeição por qualquer um deles. E estes vários bichinhos se uniram para sobreviver, para procurar um novo lugar para viver onde os humanos ainda não haviam ocupado. Era um conto sobre união, que ao mesmo tempo servia para conscientizar as criancinhas sobre a destruição do hábitat natural de algumas espécies. Se mostrou como um desenho forte, que ensinava a lidar com a morte. Muitas vezes seu personagem favorito poderia acabar morrendo.

Há sim vários desenhos de origem não-oriental com episódios contínuos, isto é, que seguem uma linha de tempo, e esse aqui não é novidade. Mas foi a morte presente em Os Animais do Bosque dos Vinténs que o fez ser um desenho tão diferente: nele não havia garantia de que os personagens iriam continuar a viver, que chegariam em seu destino todos juntos, e que quando chegassem lá, continuariam unidos.


E pra isso foi necessário apenas um roteiro muito simples, uma arte agradável e carismática, o que poderia fazer com que a carga dramática se tornasse mais marcante.  Apesar de tudo isso, o desenho não foca na morte. Ele prosegue, mostra a vida e como continuar depois que alguém morre.

"Seu animal estúpido!"

Animais do Bosque dos Vinténs foi um desenho de origem britânica exibido durante 1993 e 1999 na TV Cultura, que teve sua primeira temporada baseada num livro de mesmo nome e as outras duas usaram de referência outros livros. Segundo algumas fontes que li, foi retirado da TV brasileira por ser considerado "pesado" para as crianças, mesmo mostrando uma espécie de "moral da estória" mais forte que certos desenhos na época, pois mostrava os esforços de algumas espécies de animais tentando conviver com outras por causa de suas diferenças e o desejo de sobreviver. Pessoalmente acho que foi uma grande bobagem parar de exibí-lo, mas não vou ficar reclamando aqui visto que faz anos que isso aconteceu. 


Os bichinhos conquistaram muito numa viagem tão longa, experiências difíceis, como tudo que é na vida, e o quão difícil é para mantê-la.  Lembro de ter assistido um pouco aos quatro anos, realmente não dá pra lembrar de muita coisa. Por isso resolvi assistir esses dias, e até me assustei com o que vi.


Foram realmente várias mortes, e a primeira realmente chocante foi a do casal de faisões. A fêmea estava de vigília, e acabou levando o tiro de um fazendeiro. Poderiam deixar tudo quieto a partir daí, mas não. Logo o macho a encontrou, cozinhada, como o jantar do homem e aos prantos, ele não percebeu que iria ser a próxima vítima, logo depois que ele começou a dar valor a ela, porque a havia perdido e ela era a única que se importava com ele.

Filhotinhos da dona rata...

Houve também o caso de uma ratinha que havia engravidado no meio da jornada para o Parque da Corsa Branca, que é a reserva florestal onde os animais do bosque resolvem ir. Ela e seu companheiro resolveram não ser um estorvo para os outros viajantes, e foram deixados para trás. Só que não esperavam que um pássaro atacasse seus filhotes, e os pendurasse cruelmente nos galhos de uma árvore. Um pássaro açougueiro.


E isso foi na primeira temporada, e se eu contei direito, foram treze mortes só nela. Teve mortes de animais atravessando o asfalto, que eram os ouriços, e até do tão amado texugo (mesmo que por velhice). Mas com certeza, o que havia de mais belo entre esses animais era o que os unia: o juramento. Eles juraram não devorar os animais que partiram na jornada, e sempre ajudar um ao outro, mesmo sendo contra. É um belo desenho, cruel, mas sensível.

1 comentários:

Roberta Caroline disse...

Caramba, esse desenho era muito cruel. Eu acho que entraria em depressão se o tivesse assistido uhehuhueehuehuehuehuehue. Mas sabe, coisas assim fazem falta hoje em dia. Não é bom passar a mão demais na cabeça das crianças. É importante mostrar para ela, que nem só de arco-íris é feita a vida. Mas que mesmo diante de momentos difíceis, sempre se pode levantar a cabeça e continuar seguindo =)

 
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